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“Era uma vez…”

Quantas possibilidades essa expressão contém? O que poderia vir depois? Mas, principalmente, quantas memórias surgem, seja de pessoas que convivemos ou de momentos que vivenciamos na nossa infância?

A narração de histórias, independentemente de regionalidades ou de culturas, ocorre desde os tempos mais primórdios da humanidade, inclusive como forma de comunicação, de transmissão de conhecimentos e de construção de identidade. E quando pensamos a narração nesse âmbito, com histórias que passam de geração em geração, participam desse processo de fala e de escuta pessoas de todas as idades. 

Porém, aqui vamos tratar da literatura infantil e da narração de histórias nesse contexto. 

Ao contar histórias para crianças, precisamos compreender a importância desse ato para o desenvolvimento cognitivo e afetivo delas. Desde a escolha do momento e do ambiente, o ritmo da leitura ou da narração, o tom e as variações da voz e até o silêncio que dá espaço para a imaginação fluir. Tudo poderá constituir a memória afetiva do processo de  mediação de leitura e de contação de histórias. 

A escolha da história

Tão importante quanto os aspectos relacionados acima, é a escolha da história a ser contada, e a literatura oferece inúmeras possibilidades. Existem adaptações dos contos clássicos com toda a sua subjetividade e encantamento, ou mesmo outras histórias literárias mais atuais que abordam temáticas importantes para a infância como amizade, respeito, ou até perdas… A partir da escolha, é essencial que haja o envolvimento dos pequenos e que possam, de alguma forma, interagir e expressar o seu entendimento sobre a narrativa.

Além disso, é importante considerar que os livros infantis são escritos para encantar crianças, mas também devem proporcionar uma experiência interessante aos adultos. Afinal quem faz a mediação precisa se envolver com a história para transmiti-la de maneira sincera e sensível. Nos livros, o texto articulado com mensagens importantes nas entrelinhas e as ilustrações que compõem a história são componentes essenciais. 

Quem deve ler para e com as crianças? 

Esse processo costuma iniciar no meio familiar e  pode reforçar laços afetivos entre pessoas dentro de uma mesma casa promovendo, por exemplo, um momento de interação entre pais e filhos antes do horário de dormir.  Entretanto, o ato de contar e de ler histórias precisa ser valorizado e estimulado também nas escolas pelos Professores e Bibliotecários. Há uma relação muito próxima entre ouvir histórias e o despertar do interesse pela leitura. E nesse contexto, incentivar que as crianças em alguns momentos assumam o papel de narradores de histórias, é uma dinâmica que costuma ser divertida e surpreendente.

O encantamento através das personagens

O encantamento que as personagens de uma história provocam nas crianças certamente está relacionado à representatividade. Detalhes que evidenciam semelhanças físicas ou de personalidade, a força e a determinação que inspiram, o humor e a graça que chamam a atenção, entre outros aspectos, fazem com que os pequenos viajem pelas nuances de uma história, soltem a imaginação e levem consigo (mesmo que por vezes ainda de forma subconsciente) lições aprendidas após determinada narrativa ou leitura.

Sendo assim, quanto mais personagens e elementos houver em uma história, e isso inclui o improviso do adulto que pratica a narrativa ou que acompanha a leitura, mais possibilidades serão apresentadas para que a criança  possa desfrutar de outros universos. E entre bruxas, sapos e caldeirões, encontrar magia, diversão e inspiração para o seu desenvolvimento!

 

Larissa Weber Umpierre

Bibliotecária SESI/RS

sexta-feira, 15 de Outubro de 2021 - 14h14

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