Você está aqui

Adriana Beatris Martini ficou 35 anos sem frequentar a sala de aula. Depois de os filhos crescerem, serem encaminhados para a faculdade, eles a incentivaram a retomar os estudos. Foi quando Adriana procurou a unidade do Serviço Social da Indústria em Novo Hamburgo e entrou para o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na noite desta quinta-feira (19), ela comemorou uma vitória, garantiu seu diploma no Ensino Médio e ainda foi escolhida a oradora da turma, representando os 284 estudantes formandos dos polos de Gravataí, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Parobé, Igrejinha e Canela. A cerimônia ocorreu no Teatro do Sesi. “No começo, me achava muito velha para retornar aos estudos, estava assustada por precisar dar conta de tudo, afinal tenho o meu trabalho, casa, família pra cuidar. Mas, o sonho de concluir o Ensino Médio falou mais alto e com o apoio da minha família ficou mais perto. O Sesi me mostrou que vale a pena sonhar”, comemora.

Os filhos são mesmo um incentivo para que os pais deem sequência aos sonhos. Outro caso é o de Najara Fernandes, do polo de Gravataí, que se forma acompanhada da filha Karina Fernandes. Há 12 anos, quando casou, ela parou de estudar. Ao perceber que a filha estava prestes a cometer o mesmo erro, propôs de as duas finalizarem os estudos por meio de EJA. Agora, elas duas não param mais. “Nossa próxima meta é prestar Enem e entrar para a faculdade. Ninguém nos segura”, comemora Najara. Mãe e filha foram escolhidas juramentistas.

Durante a cerimônia, o superintendente do Sesi-RS, Juliano Colombo destacou que “a educação tem vários poderes, mas ela é uma forma de vida também, uma forma de resgatar, de se sentir vivo, útil, se sentir importante e esses são os sentimentos que gostaríamos que o EJA despertasse em cada um dos alunos”.

Crédito fotos: Dudu Leal

A EJA EAD do Sesi é uma alternativa para os trabalhadores da indústria e seus dependentes darem a sequência aos estudos de forma 100% gratuita. É pensada especialmente para essas pessoas, por meio de uma plataforma de educação, que permite ao aluno estudar de forma flexível onde, como e quando puder. Para a indústria, é a oportunidade de desenvolver os trabalhadores, elevar o nível de escolaridade e qualificar o seu quadro. Isso por conta da metodologia voltada ao mundo do trabalho e à solução de problemas, que permite ao aluno perceber a aplicabilidade do conhecimento adquirido e auxiliar na inovação dentro das empresas, contribuindo para o aumento da competitividade.  

Hoje, cerca de 300 mil trabalhadores não concluíram o Ensino Médio no Rio Grande do Sul. Em 2019, foram realizadas 13 mil matrículas na EJA. Em 2020, haverá 11 novos polos de no Estado, que se somam aos atuais 17.

Publicado sexta-feira, 20 de Dezembro de 2019 - 17h17