A MÚSICA COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO
Marauense, a instrutora do Sesi-RS, Kelyn Scalcon, 25 anos, fez parte da primeira turma do Iniciação às Artes na cidade, quando tinha nove anos. “Eu cheguei e vi a proposta da música como uma forma de me divertir. Então, a diversão e a aprendizagem vieram juntas. Depois, decidi seguir na área e me profissionalizar”, afirma, salientando que a sua vivência como integrante do projeto foi fundamental para a definição da sua carreira. “É muito gratificante quando vejo que estou oferecendo o acolhimento que recebi na minha infância. Muitas vezes, eu não me encaixava na escola e, aqui, eu era muito feliz”, complementa.
Graduada em Música, Kelyn destacou o papel dessa formação na vida das futuras gerações. “Durante as aulas, conduzimos o processo de forma bastante didática e divertida para que eles se soltem. Com a prática musical, e não só com o instrumento, a gente vê que eles vão se expressando mais e se desenvolvendo em inúmeras áreas, como a comunicação”, disse. “Criamos um ambiente acolhedor, para que eles possam errar e aprender com isso, desenvolvendo também a resiliência”, menciona.
Para Jadiel Bruning, 27 anos, instrutor e maestro da orquestra, a música, por si só, já tem um poder transformador. Quando somada à metodologia educacional do Sesi, mostra um resultado significativo de trabalho em equipe, na autonomia dos estudantes e no senso crítico. “Conseguimos perceber uma mudança muito grande, principalmente em alunos com dificuldades, como TDAH e hiperatividade”, conta.
Bruning também ingressou no programa como aluno, em 2012, e encontrou na educação musical o ritmo para a sua carreira. Após passar pelo projeto, cursou a faculdade de música e, em 2016, ingressou na equipe de instrutores da unidade. "Nos processos de aprendizagem musical ou ao tocar um instrumento, a música permite que a pessoa se conheça internamente. Ela trabalha emoções, temperamentos e pensamentos. Então, acredito que a música favorece muito e coopera para a formação de uma sociedade mais saudável”, relata.
Completando a equipe de instrutores do projeto, Andriel Sturza leciona nas turmas de musicalização infantil e de instrumentos de base, como teclado, violão e bateria.
“O propósito do programa Iniciação às Artes, assim como outros programas de educação do Sesi, é o desenvolvimento integral das crianças. Por intermédio da orquestra, além de trabalharmos a atenção, a concentração, a persistência e a disciplina, a música entra como uma prática que só acontece coletivamente”, explica o analista de educação do Sesi-RS, Iltomar Siviero. "Preparamos eles para viver socialmente e para que busquem ser pessoas qualificadas, melhores e persistentes. Vejo isso como um ganho fundamental para a vida profissional deles”, reforça.
A aluna Ana Clara Vicienzo, 14 anos, aproveitou a oportunidade de entrar na orquestra por gostar de música. Lá, ela venceu a timidez para poder se apresentar em público com o grupo. “Eu me sinto muito feliz aqui. Perdi um pouco da minha vergonha, porque se apresentar num palco exige isso da gente. Eu sinto como se a música me deixasse mais leve e confortável”, revela. “Aprendemos que todo mundo é diferente, principalmente os níveis de aprendizado. Isso ajuda muito a gente como pessoa”, cita Ana Clara, ressaltando a importância da empatia que os participantes desenvolvem durante sua passagem pelo programa.
“É uma alegria imensa, quase indescritível, participar disso. Aqui é como se fôssemos uma grande família e cada um tem o seu próprio papel nela. Separados, o resultado é bonito, mas juntos nos tornamos uma bela canção”, conta Dyom Éder da Rosa, 18 anos, aluno e integrante da Orquestra.
Inscrições e informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo telefone (54) 3371-1800 ou pelo WhatsApp (54) 99264-3490.