Uma parte importante da indústria gaúcha está vinculada ao que é produzido no campo. Queijos e vinhos, dois desses produtos e que harmonizam muito bem, foram pauta de painéis promovidos pelo Sistema FIERGS neste sábado (5), na Expointer.
A discussão na Casa da Indústria girou em torno da necessidade cada vez mais latente de criar diferenciais e produzir com qualidade, o que leva as instituições e empresas a buscar soluções para tornar os processos de fabricação mais eficientes e os produtos mais valorizados pelo consumidor. No caso dos vinhos, a equipe técnica do Senai-RS e especialistas abordaram a importância da rastreabilidade para aumentar a competitividade da cadeia. O fornecimento de dados das propriedades vitícolas amplia a percepção de valor, especialmente em um momento em que os produtores enfrentam desafios como eventos climáticos, concorrência com importados e dificuldades logísticas.
É essa padronização das informações e dados que pode contribuir, inclusive, para que o consumidor opte pelo produto gaúcho e brasileiro, mesmo que sem contar com os mesmos incentivos fiscais dos importados, por exemplo. Além de aumentar a confiança, o acompanhamento da produção, desde o cultivo dos vinhedos até o processo industrial de vinificação, reforça a qualidade e a identidade dos rótulos, além de ajudar a identificar gargalos com mais rapidez, valorizando o setor vitivinícola gaúcho e aumentando a competitividade dos produtos nas prateleiras.
Em relação aos queijos, a biotecnologia e a pesquisa de ponta também foram pontos ressaltados. No caso dos laticínios, a rastreabilidade e a utilização de insumos locais podem facilitar a obtenção de selos de denominação de origem ou indicação geográfica, bem como a distinção de produtos regionais ou autorais, cujo processo é específico de cada produtor. Com isso, é possível pensar na identidade dos queijos, como é o caso do queijo colonial do sul do Brasil, produzido no Rio Grande do Sul.
Entre os assuntos abordados ainda estiveram a legislação para a maturação dos queijos de leite frio e a utilização de fermentos produzidos pela indústria brasileira e gaúcha. Atualmente, grande parte da fermentação industrial é importada da Europa. Uma das vantagens de desenvolver esses insumos localmente, segundo os especialistas, é a possibilidade de considerar a microbiota das regiões onde os queijos são produzidos. Nesse sentido, a biotecnologia pode contribuir para aprimorar os processos e valorizar as características próprias de cada produto.
Os painéis contaram com a participação da equipe técnica do Senai-RS, por meio do Instituto Senai de Tecnologia Química e Meio Ambiente, além de representantes da Nora Biotech, Conselho de Desenvolvimento e Inovação da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul, Fermanta Biotech, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.